CASACOR 2018

/ BRASÍLIA

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Em 2018, a CASACOR Brasília completa 27 anos com as arquitetas Eliane Martins e Sheila Podestá à frente do evento. As duas têm uma longa história com CASACOR, tendo participado, pela primeira vez, em 1994 com o Quarto de Casal. Mais tarde, no ano 2000, uniram-se à administração com a dupla que inaugurou a mostra tanto em Brasília quanto em Goiás, Abadia Teixeira e Catarina Bastos. Posteriormente, assumiram totalmente as duas franquias da região.

Neste ano, a mostra resgata novamente a lembrança e história da região, ocupando a Casa da Manchete, projetada por Oscar Niemeyer, em 1978. Localizada no Setor de Indústrias Gráficas, a construção é organizada em três alas que contornam um pátio central, formando um desenho em “u”.

A casa é ressignificada com as inovações de 39 ambientes assinados por cerca de 60 profissionais, em 5 mil m².

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DESCRIÇÃO RETIRADA DO SITE DA CASACOR BRASILIA

Assim como fui ao Rio visitar a CASACOR no inicio de outubro, também tive a chance de ir conhecer a amostra em Brasília (graças a mega promoção relâmpago de milhas da Latam!!). Fui dia 30/10 e concidentemente também era o ultimo dia para as visitações. Achei bem mais movimentado e cheio do que no Rio de Janeiro, mas isso aconteceu devido ao fato de que era o dia da venda das peças, móveis, objetos, eletrônicos e eletrodomésticos que compunham a exposição, então as pessoas não estavam ali só para ver os ambientes – foram para comprar também ($$$)!!

Gostei muito da CASACOR Rio de Janeiro, mas particularmente achei a de Brasília mais “imponente” e bastante diferente/inovadora. Conhecendo duas amostras diferentes porém com o mesmo tema – Casa Viva -, cheguei a conclusão que vale muito a pena ir em mais de uma se for possível. A criatividade e o nível de qualidade dos profissionais envolvidos é altíssimo, então você não verá “muito da mesma coisa” ou terá a impressão que está tudo igual.

Já fico na expectativa e contando os dias para a edição 2019!! \o/ hehehe

 

The End – até ano que vem CASACOR!

CASACOR 2018

/ RIO DE JANEIRO

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A CASACOR Rio de Janeiro é a primeira franquia, fora de São Paulo, e foi inaugurada em 1991. A mostra é comandada pela dupla Patricia Quentel e Patricia Mayer, sócias da 3Plus, empresa responsável pela organização do evento. A versão que celebra o jeito carioca de morar é sucesso desde a estreia, que teve um público bem alto para a época: 16 mil visitantes. Ao longos destes anos, 900 mil visitantes já visitaram 1.137 ambientes decorados, criados por 614 arquitetos, decoradores, designers de interiores e paisagistas (contando uma única participação entre os que fizeram repetidas vezes). Em toda a sua trajetória, CASACOR Rio já percorreu muitos imóveis ao longo da cidade — foram construções históricas (como a linda Villa Aymoré em 2015, ou a Mansão Rosa da Gávea em 2016), condomínios, shoppings, etc.

Em 2017, a sede foi pela primeira vez no centro da cidade no prédio AQWA Corporate, projetado pela Foster+Partners, do premiado arquiteto Norman Foster, e executado pela Tishman Speyer.

Já neste ano, o evento ocupa a antiga sede do grupo Monteiro Aranha, uma propriedade na Ladeira de Nossa Senhora que conta com um prédio de dez andares, uma casa em estilo colonial e área aberta de 2,5 mil m². Construído na década de 1920, o prédio de dez andares teve uso residencial por mais de 50 anos. Na década de 1970, após um retrofit comandado pelo arquiteto Edmundo Musa passou a ter uso corporativo. Cerca de 20 anos mais tarde, foi ocupado pelas empresas do grupo Monteiro Aranha. Agora, a CASACOR apresenta um novo tipo de propriedade mista, em que residencial, comercial e lazer aparecem cada vez mais próximos, de acordo com as necessidades de nosso tempo.

A mostra é composta por 42 ambientes, que trazem como fio condutor o tema A Casa Viva, que destaca a harmonia com a natureza, a convivência e as memórias afetivas.

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Descrição retirada do site CASACOR Rio de Janeiro

Estive na CASACOR Rio de Janeiro – 2018 no dia 3 de outubro onde pude visitar e conhecer a amostra pela primeira vez. Todas as fotos tiradas dos ambientes estão disponíveis a seguir..

FIM! (Por enquanto)

SEMINÁRIO INTERNACIONAL

GESTÃO INOVADORA DE BAIRROS HISTÓRICOS

Fábrica de Restauro – São Paulo – 10 e 11 de setembro de 2018

Bom, vou começar dizendo sobre o que me fez ir até São Paulo só para assistir um seminário sobre patrimônio e restauração. Sabemos que os arquitetos são os percussores ou “os mestres” quando se fala em projeto de restauração e tombamento dos edifícios e bairros históricos. Sem dúvida alguma qualquer projeto desse tipo deve ser liderado por um arquiteto formado, capacitado e competente, mas devemos ter em mente que a preservação desses edifícios ou áreas inteiras abrange na prática muito mais que o conhecimento técnico dos nossos arquitetos e urbanistas. Pode – e deve – somar ainda a participação de restauradores, historiadores, sociólogos, economistas, urbanistas especialistas, engenheiros, governantes, voluntários e ainda a população que ali reside. Por esta razão, como engenheira civil, meu único objetivo em acompanhar este evento foi simples e não menos importante: CONHECIMENTO.

Já disse aqui que me identifico mais com a arquitetura do que com a engenharia propriamente dita, mas além das minhas escolhas e gosto pessoal, acredito que um engenheiro bem informado (ou formado) vale por dois, e um engenheiro que respeita, conhece, e está esclarecido sobre os assuntos que diz respeito a seus colegas, talvez este valha por mil. Considerando o que acabei de dizer, enquanto participava da oficina “Fabrica de Restauro” tive a satisfação de ser cumprimentada publicamente por um professor da UFMG! Sim eu fiquei com bastante vergonha! Rs Mas também muito orgulhosa de mim mesma e para mim só reforçou o conceito de: busque o máximo que houver para ser o melhor que puder e faça a diferença! Eu era a única engenheira civil dentre aproximadamente 60 arquitetos nessa oficina.

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Abertura do seminário. Fonte: CAU/SP

O seminário foi pensado e liderado pela Nádia Somekh com parceria da CAU/BR, Universidade Mackenzie e CAU/SP. Foi idealizado para apresentar e viabilizar a implementação do modelo britânico de preservação do patrimônio público no Brasil.

Na Inglaterra, há uma pequena agência local para cada patrimônio histórico arquitetônico, todas ligadas à organização The Heritage Alliance, onde cada agência dessas tem um arquiteto projetista, um responsável pelo restauro e um captador de recursos, sendo que a iniciativa britânica é sustentável e integra toda a comunidade. (Fonte: CAU/BR)

Se nossos amigos da terra da rainha já descobriram como viabilizar a conservação e a restauração do seu patrimônio, por que não aprender alguma coisa com eles ?  Não seria em um momento melhor – ou pior – não é mesmo?!

4570E4C4-CA7D-48AE-9327-A53345F47593“A experiência nacional e internacional se soma ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo para a promoção de novas alternativas de trabalho para jovens arquitetos no campo da preservação da memória de forma inclusiva. Uma gestão inovadora e participativa se faz necessária nas cidades brasileiras principalmente no que tange às pré-existências se articulando ao projeto da contemporaneidade.”

Mas o que é essa “Fábrica de Restauro”?

A ideia de “fábrica de restauro” foi formulada experimentalmente para o bairro histórico tombado do Bixiga (São Paulo), sendo o projeto constituído por uma mobilização social que permita recuperar o espaço físico e social de forma coletiva, onde a área permanece até então sem qualquer perspectiva de transformação para que haja a inclusão de outras camadas de grupos sociais dentro do bairro (gentrificação). Há ainda a preocupação em alinhar projetos contemporâneos compatíveis dentro de centros históricos ou bairros tombados e com a população moradora.

Além do objetivo de promover alternativas de trabalho para jovens arquitetos, o seminário internacional na Mackenzie, buscou ainda capacitar lideranças das entidades que compõe o Colegiado Permanente das Entidades Nacionais dos Arquitetos e Urbanistas (CEAU), para que possam criar ações criativas de trabalho na preservação da memória das cidades brasileiras.

Os temas foram abordados em 3 momentos, compondo 3 mesas: 3 palestrantes convidados, debatedores e relatores em cada mesa.

MESA 1 : FORTALECIMENTO TERRITORIAL INSTITUCIONAL E GESTÃO

O seminário começou com a palestra do francês Alan Lipietz, onde este trouxe a pergunta: “Seria a renovação urbana exilio para a classe trabalhadora ?”

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Alan Lipietz é um Engenheiro francês, economista e político, ex-membro do Parlamento Europeu e membro do Partido Verde francês.

Com a experiência parisiense, Lipietz trouxe a resposta para essa pergunta fazendo um breve relato histórico do estilo de moradia e convivência social da classe trabalhadora de Paris. Depois da 1ª Guerra Mundial, a destruição das fortificações trouxe o crescimento dos subúrbios populares da periferia designados por “Banliue”. Ocorria também em Paris o começo do chamado “Red Belt” (cinturão vermelho), que correspondia aos municípios comunistas e socialistas ao redor da zona de Paris. Neste cenário predominava-se o modelo parisiense de construção: “Courée” – moradias ao redor de um pátio interno, com janelas voltadas para a parte interna, fortalecendo e agregando valor às relações sociais da comunidade.

Contudo, com o passar do tempo e devido à competição por bons lugares de moradia, essas comunidades da classe trabalhadora foram eliminadas para dar lugar às politicas sociais de moradias que visavam a hegemonização social do espaço. As politicas sociais em questão eram: Subsidio de casas particulares (Lei Loucheur 1924); Subsidio de apartamentos estatais de baixo custo.

Após o período fordista – marcado pela produção em massa e aumento significativo do consumo – e a 2ª Guerra Mundial o modelo de construção “Courée” foi  se perdendo para os novos modelos de edifícios onde as janelas eram postas “para fora” e “para o vazio” (circulação de carros). Esta nova alteração arquitetônica na história de moradia de Paris  trouxe o conceito de Generalização – moradia individual e isolada. A reação popular foi de que os edifícios perderam todo o valor social que tinham, além do começo da gentrificação das velhas vizinhanças populares pelos “bobos” (burguesia intelectual).

“A administração pública e os investidores privados, não levam em conta a comunidade pré-existente, destrói edifícios antigos e as relações sociais ao mesmo tempo.”

Nos tempos de hoje 1981 – 2018:
  • Profunda (mais desigual) e ampla (maiores bairros) da divisão social do espaço;
  • Aumento da segregação étnica.
Resultado:
  • Fuga para as cidades mas ainda polarização em algumas megalópoles;
  • Aumento da fuga para os bairros populares (pré-fordistas) “velhos”.

A renovação urbana as vezes é necessária devido ao patrimônio físico “pobre” ou falta de patrimônio social, porém é necessário associar os verdadeiros residentes no processo. Deve-se criar ou associar espaços comunitários, além de que, é ainda muito importante defender e aumentar o verde (jardins, parques, florestas tanto nos interstícios quanto na metrópole periférica).

 

Henry Russel deu prosseguimento ao tema da mesa abordando “A Influência da Política do Patrimônio no Reino Unido.”

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Henry Russel é um inspetor fretado especializado em conservação do ambiente histórico. Henry preside o Grupo de Advocacia do Planejamento Espacial da Heritage Alliance. Diretor do Programa: Msc Conservação do Ambiente Histórico na Universidade de Reading
Dados da Inglaterra:

Edifícios tombados: 377 388; Monumentos arrendados: 19 855; Parques e jardins: 1 652; Campos de batalhas: 46; Ruinas protegidas: 52; Sítios patrimoniais do mundo: 18; Áreas de conservação: 10 100.

A proteção inglesa do patrimônio é gerenciado no Reino Unido através de um sistema de planejamento, onde as autoridades locais são responsáveis pela tomada de decisões e obedecem legislações nacionais e políticas. Quanto aos edifícios tombados, professor Russel disse que a concessão é requerida através de propostas que possam afetar os “interesses especiais” das autoridades e precisam ser justificadas conforme tal.

O patrimônio britânico possui apoio financeiro em: fundos de loterias do patrimônio; Historic England (aconselha o governo em assuntos patrimoniais); Doações corporativas e de caridades; O patrimônio agrícola através de entidades governamentais, tais como o Rural Development Programme for England (Historic England 2018).

The Heritage Alliance

A entidade foi fundada em 2002 como “Heritage Link”, sendo a maior aliança inglesa de defesa do patrimônio. É poderosa, efetiva e advoga independentemente por voluntários e profissionais que trabalham no setor patrimonial independente. Tem hoje mais de 120 membros organizacionais, que variam de grandes instituições voluntárias tais como o National Trust e English Heritage, até grandes grupos especialistas que representam visitantes, proprietários e voluntários. Clique aqui para acessar o site do Heritage Alliance. O Heritage Alliance desempenha suas atividades como membro do Heritage Council (conselho do patrimônio), secretariando no Historic Enviroment Fórum. Alem de ser ainda responsável por gerenciar o “Heritage 2020” (colaboração de apoio ao setor do ambiente histórico). Trabalha próximo ao setor de arte e museus, aliando-se ao Heritage Funding Directory juntamente com o fundo arquitetônico do patrimônio e ao Historic Religious Buildings Alliance (Aliança das Construções Religiosas Históricas).

O setor de advocacia do Heritage Alliance trabalha em prol do planejamento espacial respondendo à consultorias, CPIs, comitês parlamentares e legislativos. Atua dentro do patrimônio rural, financeiro e promove atividades de inclusão e aprendizagem.

Ao final da fala, professor Russel indicou pontos onde a experiência britânica de politica de patrimônio pode contribuir para o cenário brasileiro:

  • Efetivo sistema de proteção do patrimônio aplicado conscientemente;
  • Politicas patrimoniais em planos estratégicos;
  • Reconhecimento na politica do valor do patrimônio, cultural, social, econômico e ambiental;
  • Uma voz (advogado) unificada e efetiva pelo patrimônio a qual seja ouvida por autoridades governamentais da politica e de lei, que represente todo interesse patrimonial não-comercial e responda às consultorias oficiais (auditorias) politica e de lei.
  • promova campanhas pelo patrimônio.

Edesio Fernandes concluiu o tema abordando sobre “O Desafio da Governança”.

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Edésio Fernandes é jurista, consultor, membro da DPU Associados da Unidade de Planejamento do Desenvolvimento da University College London e professor adjunto em várias universidades brasileiras.

Os conceitos que envolvem o patrimônio estão em constante evolução, a historia das politicas de proteção do patrimônio revela a busca constante de equilíbrio entre conceitos, normas, instrumentos, politicas, processos e ações práticas, bem como a capacidade de gestão e recursos financeiros. Há grande dificuldade histórica de assimilação das politicas públicas por proprietários de imóveis, mercados imobiliários, gestores públicos, comunidades e sociedade em geral. Culminando com uma crise generalizada das políticas e do modelo tradicional de governança.

O maior avanço no tratamento da questão se dá na medida de uma maior incorporação efetiva da questão na ordem pública/ cultural cívica do país e cidade. A crise internacional das políticas públicas – e de patrimônio – reflete sob a crise do modelo neoliberal de hegemonia e da democracia tradicional.

A falta de assimilação de valores pela cultura hegemônica e sua tradução em politicas e ações, a total dependência exclusiva da ação estatal – federal, estadual e cada vez mais municipal, crise de sustentabilidade – e crise financeira, traduzem-se em quase um século de esforços limitados. Os esquemas internacionais (“Patrimônio da Humanidade”) conferem alguma legitimidade, mas garantem poucos recursos. O incêndio do Museu Nacional revela a extensão trágica do problema no Brasil.

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O principal argumento para a politica de nova governança no âmbito patrimonial somente vai ganhar solidez quando se tornar “extremamente positiva” para os atuantes, especialmente quando vista também como agregadora de valor socioeconômico para donos de imóveis, para cidades (turismo, serviços, empregos, impostos), mas para a comunidades e sociedades (coesão, saúde, fruição). Tensões e conflitos aumentaram nos últimos 20 anos com especulação/ mercantilização/ financiamento das cidades; politicas publicas como meras intenções pela metade, erráticas, sem continuidade, sem escala, sem recursos.. sem qualquer plano de manejo e sem capacidade de gestão; sem assimilação da sociedade; problemas jurídicos formais inviabilizam politicas e ações; efeitos negativos: gentrificação e expulsão  de comunidades tradicionais, especialmente no contexto de “Revitalização e “Regeneração”; crise habitacional – ocupações e invasões – dão uso, mas agravam condições de

 

O fato é que..

Não dá para desapropriar tudo! Nem tudo pode ou deve virar centro cultural. Tombamento de uso – cinemas, livrarias – é complicado. Custos da manutenção não podem mais serem ignorados. Repensar a governança: Politica estatal nas diferentes esferas governamentais; saber técnico; busca de legitimação e medida de participação – conselhos; não basta mudar só estruturalmente e pressionar conselhos e/ou ignora-los.

Conclusão

Publico > Estado

  • Legitimação para consolidação da cultura do patrimônio: não basta só o olhar técnico;
  • Público mais amplo;
  • Planos e ações comunitárias;
  • Iniciativas populares de diversas ordens;
  • Participação efetiva de todas as formas em todas as etapas.

MESA 2 : FINANCIAMENTO E SUSTENTABILIDADE DO PATRIMÔNIO

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Michael Ball é professor na Heley Business School (Reino Unido). Nos últimos anos a pesquisa de Michael se concentrou nos mercados imobiliários internacionais e do Reino Unido; fornecimento de habitação, planejamento e indústria de construção de casas; economias regionais e provisão de infra-estrutura; o setor privado alugado; a economia de Londres; habitação especializada para idosos; padrões históricos de mudança urbana; e o impacto da mudança institucional na provisão de habitação.

Michael Ball iniciou as falas da mesa abordando o “Benefício Econômico da Preservação do Patrimônio”.

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Praticamente toda economia moderna do mundo cresce nas grandes cidades, cerca de 40% da produção mundial vem das 100 maiores cidades. Por outro lado, as maiores áreas urbanas dos maiores países urbanizados representam bem menos que 10% da área total do mundo – são pequenos espaços em uma escala global. A tecnologia e o crescimento do padrão de vida contribuem para a mudança do uso da terra e das cidades. Tomando como exemplo a cidade de Londres:

  • 1960 – 60% de produção industrial;
  • hoje – mais de 95% de serviços;
  • classe trabalhadora industrial não existe mais!
  • 1960 – 2% da força de trabalho tinha diploma universitário;
  • hoje – quase 50% tem diploma;
  • hoje – a média do padrão de vida (renda real) é mais de 3 vezes maior, possivelmente o consumo é também vastamente maior.

Existe uma grande necessidade por mudança na questão urbana pois o custo da estagnação é gigante – edifícios modernos e configurações do uso da terra tem grande  benefícios econômicos -, além ainda da questão da pobreza/miséria. O Patrimônio tem seu papel econômico dentro da configuração urbana no que diz respeito ao turismo, lazer – cultura, restaurantes, etc. Muitos estudos econômicos mostram que moradia e bairros patrimoniais tem alto valor (10 – 20% extra no valor). Atrai mão de obra especializada para a cidade, impulsionando sua economia, encorajando a inovação.

Lições chave para o sucesso da preservação do patrimônio:
  • Requer investimentos para adaptar edifícios antigos às necessidades e padrão moderno (atualizações e adaptações);
  • Bairros precisam ser adaptados na prestação de serviço e investimento (saúde, segurança, escola, etc.);
  • Mesclar o velho com o novo (varia de acordo com a localização e variedade de usos);
  • Não recriar o passado mas beneficiar-se a partir dele.

Para se viver o presente em edifícios antigos é necessário um bom projeto e habilidade para manter o melhor do velho com as condições de agora, requer engenhosidade, harmonização e design de ponta para adaptar as estruturas antigas.

A necessidade de consenso é fundamental para o sucesso! Há clara evidencia que grupos populares frequentemente apreciam patrimônio (toda cidade e nos bairros), mas muitas das vezes falta significado político e financeiro. Então, por isso é necessário alavancar alianças para alcançar ações de estado.

Para que saia do papel, além de subsídios do governo, é necessário aproveitar o investimento privado. Grupos com maiores rendimentos encorajam investimento privado nas localidades de patrimônio e se manuseado sensivelmente, leva-se a uma maior sustentabilidade (sem subsidio governamental). O patrimônio não pode só ser tombado e preservado, deve ainda ter viabilidade econômica:

  • ter uso de consumo viável;
  • criar trabalho em todo o espectro;
  • encorajar negócios (pequena escala, bem como outros..);
  • deve-se pensar em regularização e se a preservação bem sucedida pode eliminar o uso existente do espaço.
Conclusão

Patrimônio é um bem importante mas precisa aceitar a mudança urbana (se beneficio do passado ao invés de museus urbanos); Só funciona se associar as outras condições sociais no lugar; A preservação do patrimônio é boa apenas dentro de uma questão econômica de forma limitada, como as alianças patrimoniais e a questão econômico-politico; Precisa mobilizar investimento privado (atividade) para a sustentabilidade.

Seguindo com o assunto da mesa, Kate Dickson apresentou um pouco de sua experiência em Manchester (Reino Unido) e abordou a questão do voluntariado com o tema “O Papel do Setor Voluntário na Liderança de Regeneração do Patrimônio no UK”.

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Segundo Dickson, os apoiadores envolvidos e suas características são: Curadores não remunerados; muitas vezes aposentados ou com tempo livre; arquitetos, planejadores, advogados, contadores, visionários e apaixonados por patrimônio e restauração; são voluntários, mas não significa que são amadores; promovem campanhas.

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Kate, que é arquiteta registrada (membro da IHBC) e designer urbana por treinamento, estabeleceu a prática de consultoria multidisciplinar do Patrimônio Criativo em 2011. Ela havia se especializado anteriormente na conservação e reutilização criativa de edifícios históricos desafiadores por mais de doze anos. como o Director of Heritage Works, um dos principais Trusts de Preservação do Edifício do Reino Unido.

A arquiteta Kate Dickson apresentou o caso dos moinhos de Ancoats (Manchester – Reino Único), onde uma parte dos edifícios da região foi incorporado à um programa de restauração através do Grupo de Apoio da Preservação de Edifícios de Ancoats – Proteção e reuso dos Edifícios patrimoniais -, fundado em 1995. Dentro do projeto foi proposto o Programa de Regeneração da Zona Leste (segurança da comunidade, treinamento, creche..), Campanha da Aldeia Urbana de Ancoats (para atrair o investimento do setor privado em novos edifícios, e financiamento público para a infraestrutura), Agenda de Desenvolvimento Regional do Noroeste (amplos poderes de compra de propriedade), conjuntamente com a parceria da Organização da Regeneração Complementar. O projeto passou por dificuldades na crise de 2008 e precisou ser paralisado, retornando 10 anos depois com apoio privado e desenvolvimento por parte do Manchester Life. Hoje funciona como uma área de moradia em forma de apartamentos, urbanizada e integrada à comunidade.

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Lições aprendidas..
  • Regeneração leva muito tempo!
  • Entrega de parceria é fundamental (privado, publico e setor voluntário);
  • Risco atribuído a aqueles mais bem colocados para carrega-lo;
  • Comunidade deve ser engajada;
  • É importante receber as pequenas doações e ter financiamento “suave”;
  • Liderança: “Uma pessoa com paixão é melhor do que 40 que estão apenas interessada”.
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Lidia Goldenstein é Economista formada pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo – USP/SP (1976) com Mestrado (1985) e Doutorado em Economia pelo Instituto de Economia da Universidade de Campinas (1994). Foi analista do SEADE (1978-79), Economista/Pesquisadora do CEBRAP (1981-95) e Assessora da Presidência do BNDES (1996-98). Professora de diversas instituições, tais como: Fundação Armando Álvares Penteado, UNICAMP e do Programa de Formação e Aperfeiçoamento da Carreira Diplomata, no Instituto Rio Branco – Brasília, tendo diversas pesquisas e artigos publicados sobre questões político-econômicas. É autora do livro “Repensando a dependência” (1994). Atualmente é consultora da LGoldenstein Consultoria, membro da Agência de Desenvolvimento da Cidade de São Paulo.

Para finalizar a mesa e voltando à falar sobre economia dentro do assunto de patrimônio, fomos surpreendidos em receber Lídia Goldenstein como palestrante convidada. Lídia não estava na programação original do seminário, tenho sido convidada para fazer a substituição de Gina Paladino, o que obviamente não deixou nada a desejar. Lídia falou sobre “Economia Criativa”, que presenta a resposta de alguns países às mudanças decorrentes da Economia do Conhecimento – profunda mudança no paradigma produtivo internacional; investimento em ativos baseados no conhecimento, como: P&D, design, software, marcas, capital humano e organizacional -, que foi estrategicamente usada de forma explicita no Reino Unido, no final dos anos 90 e inicio dos anos 2000. O Novo Paradigma (mudança nas fontes de geração de valor) é necessário para obter novas estratégias de crescimento e de modelos de politicas públicas, que abranjam setores estratégicos, capacitando a geração de emprego e renda e alavancando outros setores, tornando-os mais inovadores, dinâmicos e competitivos. O setor de restauração e reuso do patrimônio de uma forma economicamente sustentável, enquadra-se dentro deste conceito de “Economia Criativa”, e não só tem a capacidade de beneficiar as atividades diretamente envolvidas, mas também outros setores, como: transporte, hotelaria, gastronomia, serviços gerais ao redor, etc.

MESA 3 : BAIRRO DO BIXIGA

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Carlos Leite, urbanista PhD e professor da Universidade Mackenzie.

Segundo Carlos Leite, o Bairro do Bixiga é um bairro histórico localizado na região central de São Paulo, abrangendo os distritos da Sé, República e Bela Vista. A delimitação do Bixiga é histórica e cultural e não administrativa. Trata-se de uma área tradicional da imigração italiana e multicultural, servida de infraestrutura urbana e de transporte. Concentra grande número de habitação de interesse social (HIS) e encontra-se em deterioração. O Bixiga abrange grande parte dos imóveis tombados e com interesse histórico de São Paulo.

Desafios
  1. Recuperar o patrimônio cultural;
  2. Promover inclusão social;
  3. Promover a transformação Urbana.

O Urbanismo social é a criação de politica pública fundiária e de instrumentos indutores da transformação urbana que proporciona a indução a um uso do território mais equilibrado socialmente, levando em consideração a questão do acesso à terra infraestruturada e qualificada, o que está no meio disso são os desafios e o potencial do Bixiga.

O intuito do Seminário Internacional foi também abordar a questão do bairro do Bixiga e proporcionar um meio de se fazer surgir novas ideias e novas ações pública para os edifícios, agregando a questão social, habitacional e historia do espaço. O objetivo é restaurar não só a parte construtiva, mas também comunitária e social.

Diversos eventos vendo sendo realizados para debater sobre o Bixiga, para que você possa se aprofundar mais sobre o assunto, coloquei aqui um artigo escrito pelo  GABRIEL DE ANDRADE FERNANDES sobre o Bixiga.

Na mesa 3, além de Carlos Leite, tivemos mais 2 palestrantes – Barbara Lipietz e Nadia Somekh -, onde todos os 3 abordaram a questão do bairro do Bixiga. A professora Barbara Lipietz trouxe o exemplo de Londres, abordando o tema “Encenando uma Regeneração Inclusiva”, e sendo finalizado com a fala da liderança do evento, Nadia Somkh, com o tema “São Paulo e sua Materialização Contemporânea: o caso do Bexiga”.

Para mim, particularmente, o evento cumpriu com o proposito inicial de agregar conhecimento e descobrir novas fontes e opções – seja ela de trabalho ou de estudo -. Envolver-se mais afundo sobre a gestão do Patrimônio e da Restauração Arquitetônica é sem dúvida algo que carece de investimento e energia e tem enfrentado atualmente no Brasil diversos desafios e problemas que precisam ser solucionados, para que assim, toda a riqueza e a historia  herdada do passado permaneça viva para as próximas gerações.

Obrigada pela leitura!       

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o que está por trás da arte

Este post está baseado no livro “A História da Arte” (Ernst Gombrich).

Particularmente antes de começar a estudar sobre história da arte acreditava que se tratava apenas da evolução cronológica da técnica de desenhar, pintar ou esculpir, dentre as suas mais variadas formas e materiais e sua influência sobre a arquitetura durante os anos. Mas não! Se você, caro leitor, assim como eu, compartilha dessa mesma ideia pré concebida, fique sabendo agora mesmo que a história da arte na verdade trata daquilo que está por trás da arte.

 O conhecimento sobre as necessidades das primeiras civilizações nos traz um entendimento mais profundo sobre o fundamento da arte. Arrisco-me a dizer que qualquer fruto do trabalho humano, seja ele braçal, manual ou intelectual é forma de expressão artística. Até mesmo a ciência pode ser definida como arte unicamente pelo fato de ter sido originalmente desenvolvida através da necessidade e para fins de utilidade, movida pela curiosidade e pela ideia criativa – ideia que cria -, que inspirou pessoas a manipular números matemáticos, experimentos e fórmulas físicas, dissecar cadáveres, e por aí vai…

O início da manifestação da arte na história deu-se simplesmente pela necessidade de criar algo que tivesse alguma utilidade em determinado período, dentro de determinado povo ou civilização, no que tange ainda sua cultura ou grau de desenvolvimento social e intelectual. O processo de edificar construções assemelha-se fortemente a este conceito, pois sabemos que nenhuma edificação, por mais bela que seja sua forma, despertará o sentimento de admiração por parte de seu observador caso o construtor não siga previamente e à risca os critérios de utilidade e concordância ambiental – e cultural – no qual será inserida sua obra. Ou seja, toda construção que houve ou que há no mundo origina-se – antes de tudo – pela utilidade e atendendo a alguma necessidade. Exatamente por este motivo foi que há cerca de 15 mil anos atrás as primeiras manifestações artísticas iniciaram-se.

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Pinturas feitas há cerca de 15 mil anos. Em cima, bisão, encontrado na caverna de Altamira – Espanha. Em baixo, animais no teto da caverna de Lascaux. Fonte: extraído do livro “A História da Arte” (Ernst Gombrich).

Tomando como exemplo as imagens e esculturas das civilizações primitivas feitas para rituais de magia e proteção, facilmente refletimos que estes povos não estavam interessados em contempla-los, mas sim, na necessidade de possuir artefatos com poder místico é mágico. Neste contexto, não se trata de concebê-los formosos ou belos, mas de fazê-los de modo que haja “vida”, para que então haja “magia” – cumprindo assim o conceito de utilidade. Muitas imagens e esculturas nem mesmo eram feitas para serem expostas a olhos humanos, sendo encontradas milhares de anos mais tarde em cavernas profundas e até mesmo dentro das pirâmides dos faraós no Egito. É importante considerarmos que por mais tola que nos pareça ser as crenças e hábitos do passado, toda arte que originou destes tempos estão diretamente ligada à nossa forma atual de criar, produzir, construir ou inventar a arte.

Entender a história da arte é entender nossa própria história, e aquilo que está por trás da arte nada mais é do que as ideias, os conceitos, os pensamentos e as necessidades que a originaram e que estão em constante mudança ao longo do tempo.

um blog ?

Sim, um blog!

Muitos devem estar se perguntando o porquê disso tudo ou o que me deu na cabeça de virar blogueira sobre história da arte e arquitetura. Na verdade é uma surpresa até pra mim. Mas calma! Não tenho nenhuma pretensão de virar a Tassia Naves do estilo barroco e nem Camila Coelho do neoclássico. hahahahah

Nem eu mesma esperava por isso, apesar de sempre ter tido vontade de escrever um blog – sério! -, essa ideia sempre esteve distante de virar realidade, pois nunca tinha tido a oportunidade de escrever sobre alguma coisa específica. Mais uma vez, Tassia Naves, Camila Coelho e companhia limitada não seria o estilo ideal pra mim de blog – apesar de achá-las maravilhosas. Não queria falar sobre mim mesma ou meu lifestyle (oi? rs), não, tinha que ser algum assunto específico, a qual eu me identificasse e servisse de estímulo pra mim mesma.

Para quem não sabe sou formada em engenharia civil, mas sempre me identifiquei muito mais com o lado artístico e criativo  das construções, ou seja, ARQUITETURA! Acho infinitamente mais interessante do que o mundo frio-calculista-engessado da engenharia. Não que eu esteja desmerecendo ou falando mal dos engenheiros, é uma questão de gosto pessoal mesmo, acho incrível o fato do arquiteto lidar tanto com a arte e a ciência enquanto elabora suas plantas e administra a fase da construção. Comecei a estudar de forma independente sobre história da arte e estou simplesmente AMANDO. Entender como a arte influênciou – e influência – nosso mundo e a arquitetura é demais!

Escrever aqui no blog será uma forma de me estimular a continuar estudando sobre história da arte/arquitetura e ao mesmo tempo será um meio de dar acesso à todo o conhecimento, pesquisas e minhas próprias experiências para quem quer que também tenha interesse.

Não sei onde – ou até quando – isso vai dar, mas já deixando registrado aqui para a posteridade: mal posso esperar por tudo que há de vir e tudo que irei experimentar daqui para frente, será um caminho de muito trabalho duro e quero compartilhar com todos sobre minhas novas descobertas e oportunidades!