A DEMOCRACIA DAS CIDADES

Este post está baseado no livro “A História da Arte” (Ernst Gombrich).

A Revolução da Arte grega marcou a descoberta da forma natural e do escorço. Aconteceu em uma época onde as pessoas começaram a contestar o que antes era seguido como certo pelas lendas dos deuses. Foi neste período que a filosofia, teatro e a ciência despertaram entre os homens gregos.

A democracia das cidades na Grécia, sobretudo Atenas, teve também um papel muito importante no desenvolvimento da arte grega. Quando a democracia atingiu seu ponto máximo, a arte grega também seguia o mesmo nível, chegando assim ao auge da evolução das artes. Isso aconteceu porque os escultores e pintores tinham certa participação nas questões do governo, mesmo sendo considerados simples trabalhadores para a sociedade culta.

aquele que sabe e aquele que vê

Este post está baseado no livro “A História da Arte” (Ernst Gombrich).

O Egito é o berço da criação dos mais antigos estilos de arte do passado que perduraram quase intocáveis por milhas de anos. A Grécia é o palco do fundamento cultural das artes, dos esportes, da filosofia e da ciência e que não poderia ficar de fora da maior revolução da historia da arte. Não se sabe exatamente quando e onde essa mudança se originou, mas sabemos que ela representa na historia uma mudança artística de pensamento, olhar e expressão. Atenas foi o lugar que produziu esses frutos e por isso tem enorme importância para a historia da arte. Neste ponto os gregos não seguiram mais a uma formula vinda de seus antepassados, mas estavam dispostos a desenvolver sua própria forma perfeita de criação.

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Desenho egípcio: retrato de Hesire esculpido em uma porta de túmulo em madeira trabalhada. Cerca de 2700 a.C. Cairo. Fonte: extraído do livro “A Historia da Arte” (Ernst Gombrich).

Identificar uma pintura ou escultura Egípcia não é difícil não é mesmo? Parece que tudo o que eles representavam seguia sempre um traçado firme, claro e definido, parecendo até meio “engessado”. Cabeças em perfil, olhos como se fossem vistos de frente, tronco completamente em plano frontal fazendo a questão de representar cada junta dos braços e ombros, e como se o quadril não fizesse parte desse mesmo corpo, as pernas e os pés eram torcidos e postos em plano lateral – parecia até que o individuo possuía dois pés esquerdos! Os egípcios acreditavam que deviam sempre representar completamente uma figura como ela é do que o fazer de forma natural e mais fiel possível ao que acontece na vida real. Por isso que para eles era mais importante traçar os pés de forma clara do que deixar o pobre indivíduo com seus dois pés esquerdos. Você nunca verá uma arte egípcia feita de outra forma, pois eles aprenderam com seus pais, que aprenderam com seus avôs, que ouviram de suas bisavós o que seus tataravôs disseram sobre como se deve fazer. Faziam o que sabiam.

As esculturas – e até as pirâmides – são identificadas com esse mesmo desenho egípcio. Não julgo os egípcios por seu estilo, acredito que o conceito da utilidade ainda era a única razão que estimulavam sua arte, por isso o importante mesmo era criar suas obras para que atendesse somente a necessidade. Por exemplo, naquela época as pinturas eram para passar uma mensagem, contar uma historia ou manterem a forma e a alma dos faraós vivos dentro das pirâmides – não para serem admiradas! Os gregos herdaram a arte egípcia mas não se limitaram a ela. Além daquilo que aprenderam dentro da escola egípcia, os gregos inventaram sua própria forma de ver e expressar a arte. Foi ai que pela primeira vez na historia, os pés esquerdos foram finalmente “consertados”, pois os gregos levaram sua arte a outro nível quando notaram que havia um ângulo por parte de seu observador que também devia ser considerado – surgindo então o escorço. Tudo que não podia ser exposto pelo ângulo poderia muito bem ser subentendido, era tudo uma questão perspectiva.

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Vaso grego assinado por Eutímides. A despedida do guerreiro. Cerca de 500 a.C. Detalhe para um dos pés visto de frente. Fonte: extraído do livro “A Historia da Arte” (Ernst Gombrich).

O novo estilo grego não foi nada fácil de ser desenvolvido. Os escultores gregos empenharam-se dia após dia para descobrir qual a forma mais perfeita de representar uma boca, uma parte do corpo, e esse processo foi gradativamente sendo descoberto ao longo dos anos com a contribuição de vários escultores. Frente às falhas eles não desanimaram – mesmo tendo o estilo egípcio como forma mais segura e consagrada –, suas descobertas e experiências eram como incentivo para trabalharem em prol do que os instigavam. Em VI a.C a influencia da arte egípcia nas pinturas gregas não havia se perdido completamente, mas foi agregada às novas descobertas, o que iniciou um caminho sem volta para a contínua evolução da arte. Aquilo que antes aprenderam com os egípcios não era mais sagrado, mas sim a base para suas criações. Não estavam ainda prontos para representarem fielmente a natureza, mas libertaram-se para aquilo que seus olhos podiam ver. Criavam o que viam.

creta e os conquistadores

Este post está baseado no livro “A História da Arte” (Ernst Gombrich).

Partindo do Egito e atravessando as águas do Mediterrâneo Oriental encontramos as terras da Península Grega e Ásia Menor, cujo principal território era a ilha de Creta. A arte cretense era maravilhosa, capaz de impressionar até mesmo a corte faraônica e sendo copiada no continente grego. O continente grego era um lugar rico com reis, comerciantes e piratas que desbravavam os oceanos além dos limites conhecidos.

Em 1000 a.C, no entanto, após a invasão de tribos vindas da Europa que adentraram até ao litoral da península grega, toda arte cretense foi destruída e seus habitantes derrotados durante as batalhas, sendo que a única arte que restou desses povos são as belas canções poéticas (poemas homéricos) que contam a historia da guerra. Essas tribos conquistadoras vindas da Europa constituíram o povo grego que conhecemos na historia.

o que está por trás da arte

Este post está baseado no livro “A História da Arte” (Ernst Gombrich).

Particularmente antes de começar a estudar sobre história da arte acreditava que se tratava apenas da evolução cronológica da técnica de desenhar, pintar ou esculpir, dentre as suas mais variadas formas e materiais e sua influência sobre a arquitetura durante os anos. Mas não! Se você, caro leitor, assim como eu, compartilha dessa mesma ideia pré concebida, fique sabendo agora mesmo que a história da arte na verdade trata daquilo que está por trás da arte.

 O conhecimento sobre as necessidades das primeiras civilizações nos traz um entendimento mais profundo sobre o fundamento da arte. Arrisco-me a dizer que qualquer fruto do trabalho humano, seja ele braçal, manual ou intelectual é forma de expressão artística. Até mesmo a ciência pode ser definida como arte unicamente pelo fato de ter sido originalmente desenvolvida através da necessidade e para fins de utilidade, movida pela curiosidade e pela ideia criativa – ideia que cria -, que inspirou pessoas a manipular números matemáticos, experimentos e fórmulas físicas, dissecar cadáveres, e por aí vai…

O início da manifestação da arte na história deu-se simplesmente pela necessidade de criar algo que tivesse alguma utilidade em determinado período, dentro de determinado povo ou civilização, no que tange ainda sua cultura ou grau de desenvolvimento social e intelectual. O processo de edificar construções assemelha-se fortemente a este conceito, pois sabemos que nenhuma edificação, por mais bela que seja sua forma, despertará o sentimento de admiração por parte de seu observador caso o construtor não siga previamente e à risca os critérios de utilidade e concordância ambiental – e cultural – no qual será inserida sua obra. Ou seja, toda construção que houve ou que há no mundo origina-se – antes de tudo – pela utilidade e atendendo a alguma necessidade. Exatamente por este motivo foi que há cerca de 15 mil anos atrás as primeiras manifestações artísticas iniciaram-se.

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Pinturas feitas há cerca de 15 mil anos. Em cima, bisão, encontrado na caverna de Altamira – Espanha. Em baixo, animais no teto da caverna de Lascaux. Fonte: extraído do livro “A História da Arte” (Ernst Gombrich).

Tomando como exemplo as imagens e esculturas das civilizações primitivas feitas para rituais de magia e proteção, facilmente refletimos que estes povos não estavam interessados em contempla-los, mas sim, na necessidade de possuir artefatos com poder místico é mágico. Neste contexto, não se trata de concebê-los formosos ou belos, mas de fazê-los de modo que haja “vida”, para que então haja “magia” – cumprindo assim o conceito de utilidade. Muitas imagens e esculturas nem mesmo eram feitas para serem expostas a olhos humanos, sendo encontradas milhares de anos mais tarde em cavernas profundas e até mesmo dentro das pirâmides dos faraós no Egito. É importante considerarmos que por mais tola que nos pareça ser as crenças e hábitos do passado, toda arte que originou destes tempos estão diretamente ligada à nossa forma atual de criar, produzir, construir ou inventar a arte.

Entender a história da arte é entender nossa própria história, e aquilo que está por trás da arte nada mais é do que as ideias, os conceitos, os pensamentos e as necessidades que a originaram e que estão em constante mudança ao longo do tempo.